Saiba mais sobre o “Leite” de Soja

O extrato de soja, mais popularmente conhecido como “Leite” de soja, é um produto de elevado valor nutricional, com alto conteúdo proteico, muito consumido por indivíduos vegetarianos ou que apresentam alergias ou intolerâncias aos leites de animais. Entretanto, o conteúdo de cálcio – importante mineral para manutenção dos ossos – é baixo, sendo requerida sua adição, a fim de melhorar o valor nutricional do produto.

Nos últimos anos, informações controversas foram divulgadas sobre esse alimento, fazendo com que algumas pessoas parassem de utilizar o “leite” de soja pela preocupação de gerar malefícios à saúde. Porém, o seu consumo é seguro, e em indivíduos SAUDÁVEIS pode até trazer benefícios pela presença de compostos bioativos, como as isoflavonas. Claro que todo alimento deve ser consumido com MODERAÇÃO e sem exageros. Inclusive os saudáveis como a soja. Também é importante, variar a alimentação todos os dias para que possamos aproveitar ao máximo as qualidades nutritivas específicas de cada um.

As isoflavonas são substâncias, presentes principalmente na soja e em seus derivados, denominadas de fitoestrógenos, por apresentarem a estrutura química muito parecida com a do estrogênio, que é o hormônio feminino, produzido pelos ovários das mulheres. Mas é importante destacar, que apesar da semelhança ela não é o próprio estrogênio. No nosso organismo, para que os hormônios possam funcionar corretamente, eles precisam se “encaixar” em receptores específicos nas células, e o estrogênio tem um receptor que é única e exclusivamente dele. Na prática, a isoflavona, apesar de ser muito parecida com o estrogênio, não vai se encaixar nesses receptores. Um dos grandes temores evidenciados atualmente é de que o consumo de produtos à base de soja pudesse provocar efeitos semelhantes ao dos hormônios femininos, como o aparecimento de seios, por exemplo. Nas crianças, também não há quaisquer evidências de comprometimento do crescimento ou desenvolvimento, e nem do surgimento de características do corpo feminino.

Nos países asiáticos como a China, que utilizam a soja como alimento básico da população há séculos, as evidências científicas têm revelado uma baixa incidência de mortalidade causadas pelo câncer de mama, câncer de próstata, doenças cardiovasculares, osteoporose, e nas mulheres, os sintomas da menopausa são raros quando comparadas às mulheres ocidentais, demonstrando, assim, que a soja tem papel preventivo e terapêutico na saúde do indivíduo.

Alguns esclarecimentos sobre o “leite” de soja:

• Podem ser utilizados por indivíduos alérgicos à lactose;

• Possui uma digestibilidade maior que o leite comum, uma vez que não precisa da enzima lactase;

• Apresentam menores teores de cálcio que o leite de vaca, tendo geralmente cálcio adicionado artificialmente pela indústria; assim como outros nutrientes importantes como vitaminas A, D e B12;

• Ajuda a controlar o colesterol, devido ao seu conteúdo de isoflavonas, ácidos graxos e proteínas;

• Ajuda a controlar o diabetes, uma vez que libera os açúcares aos poucos, mantendo este componente no sangue em níveis adequados;

• Apresenta teor calórico baixo, em média, 54 calorias por 100 mL.

• Ajuda as mulheres a controlar episódios de tensão pré-menstrual, graças às isoflavonas.

Recomenda-se que crianças menores de 2 anos não façam uso do leite de soja.

Casos em que o bebê tem alergia ao leite de vaca (APLV) e que já está desmamado, porque na maioria das vezes, não se consegue controlar a alergia do bebê só com a dieta materna, normalmente evita-se usar leites à base de soja, porque a soja também pode provocar alergias, sendo necessário então utilizar leites à base de aminoácidos livres ou de proteínas extensamente hidrolisadas, SE for o caso.

Essas indicações, o profissional que acompanha o bebê irá decidir, juntamente com a família, a melhor opção para o controle da alergia.

É importante lembrar que são duas proteínas distintas (leite de vaca e soja), mas com grau alergênico MUITO acentuado. Dessa forma, muitas vezes não ocorre melhora na alergia do bebê, quando se troca pela fórmula a base de soja. Assim, a alimentação do bebê deve ser variada e equilibrada, de preferência orientada por um nutricionista, para que ele obtenha todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

Por Elenice Cunha Santos - Nutricionista (CRN3: 50373) - [Alimentos e Saúde]